domingo, julho 14, 2002

"Eros
do céu desceu em clâmide de púrpura..."




FRAGMENTOS - r.m.rILKE

Sou eu, rouxinol, eu quem tu cantas:
aqui, no meu coração, essa voz faz-se violência
já não evitável.


O que poderia o teu sorriso impor-me que a Noite
me não desse?


...ela que aqui quase com
começo tímido na minha face começa e acaba - onde? onde? Em ti eu cessaria;
mas assim esforço o coração, corro torrencial, e nunca
o espaço tem bastante.




NÃO HÁ SEPARAÇÃO;
NÃO HÁ DIFERENÇA
NÃO HÁ TEMPO NEM ESPAÇO,
NO UNO, SAGRADO E ETERNO LUGAR
EM QUE RESIDIMOS AFECTUOSAMENTE


ALDEGISE MACHADO DA ROSA

A integridade que nasce do carácter
também altera o carácter
A integridade é como uma pedra,
intransigente.
Dá chão à vida afirmando
uma verdade
decisão
E sofrendo-lhe as consequências
A integridade mantem-nos centrados
- não agarrados às nossas dores -
delas não-prisioneiros, sem
oportunidade de transição
para o Eden

dúvida e luta
Esforço e preserverança
fé e escuta


in "MEMÓRIAS DE ALDEGICE"




as elegias a duino e sonetos a orfeu

XXL

Canta, meu coração, os jardins que não conheces;
Jardins como que vazados em vidro, claros, inacessíveis.
Água e rosas de Ispahan ou de Xiraz,
canta-os ditosos, louva-os, a nenhum comparáveis
.

Mostra, meu coração, que nunca deles te privas.
Que os seus figos a amadurecerem pensam em ti.
Que convives c'os seus ares que entre os seus ramos
em flor se sublimam como em faces.


Evita o erro das privações
para a resolução acontecida: de ser!
Fio de seda, vieste entrar na teia.


A qualquer das imagens que no íntimo venhas unir-te
(seja mesmo um momento da vida da dor),
sente que o que se tem em vista é o tapete, inteiro e glorioso.


(poema dedicado a F. L.)
RAINER MARIA RILKE

Fosse essa a minha sorte,
ó Afrodite coroada de ouro!


Safo

Sem comentários: